4 de Dezembro de 2009

Vou pá Índia!


Embarco amanhã para Londres e na terça para a Índia.

Tenho a sensação que mais uma vez o blog vai entrar em férias. É que não me estou a ver sentado em frente a um pc quando chegar à Índia. De qualquer modo quando tiver um tempo vou dando notícias para quem quiser saber de mim.

Abraço a todos e muito obrigado por seguirem o blog e pelos comentários.

Namaskar!

23 de Novembro de 2009

A serra


Estes monstros que se erguem em torno de mim
São limites no meu horizonte de ilhéu.
A serra é fria, curte a pele.
Estes rochedos nus, colossais
Cercam-me e fazem-me pequeno.
No fundo, não são muito diferentes
Do majestoso oceano da minha saudade.
Ambos graves e silenciosos.
Eternos confidentes,
Que ora me libertam
Na contemplação do seu tamanho,
Ora me sufocam
Na ideia de derradeira fronteira intransponível.

Covilhã
18/11/2009

17 de Novembro de 2009

Nobre guerreiro


Sei que um dia, também tu partirás
nobre guerreiro
que me acompanhas nesta jornada.
Tua vinda foi um presságio
de uma nova vida,
de um acordar fabuloso.
Para um outro rumo,
para um outro modo de estar.
Em silêncio vieste, e também assim irás…
Fica para sempre a meu lado,
tua presença amacia-me o vazio.
Sou mais sereno em tua companhia,
minha existência tem mais propósito
a teu lado.
Ombro com ombro
irmão de verdade, irmão na ânsia derradeira.
E é uma alma que se liberta com tuas palavras.
E me inspiras em tua certeza alheia.
Fica, fica para sempre a meu lado.
Este caminho é longo
e juntos podemos sempre mais.
Assombro, invade-me
com a ideia da tua partida.
Sou um perdido, que nem selvagem
não me aquieto fácil.
As palavras são balas
que fogem pelos dedos
e eu fito-te em admiração.
Nobre e poderoso
assim segues vivendo… despreocupado…
Deixa-me ficar a teu lado.
Posso apenas permanecer contigo
meu maior amigo,
pois sob a bênção dos astros
me amanse a teu lado.

Aveiro
13/07/2009

Dedos como agulhas


Em melancolia perdido
e embalado em sua sumptuosidade.
Vida em pausa, busca incessável.
Onde se aquieta o espírito de um homem?
E uma paixão permanece,
um propósito, um sonho,
toda uma vida em vão.
Para nada, para nada de nada
debate-se a criatura nos muros
e muralhas dos fortes e castelos
da coisa por conseguir,
almejando sem fim.
E um sonho permanece,
uma paixão que tudo queima.
Um propósito por realizar
uma vida por viver,
presa no medo da impossibilidade.
De não saber como lá chegar.
Estaco perante o abismo da incerteza.
A incerteza que corrói,
que pesa e puxa ao chão
cortando as asas do sonho.
Da rebeldia e da pureza inocente,
do simples que não conhece obstáculos.
Em desculpas, em dúvidas,
em mecanismos que me
afugentam o sonho
e o néctar da arte, da poesia e da música.
Sempre me mergulhando
no som sem forma do eterno absoluto.
E navega o ser alado além desta dor,
nadando pelas onda desta melodia intoxicante
que me transporta a alma
para o mundo do sonho
onde eu apenas choro.
Onde eu apenas anseio.
Com o coração em chamas,
clamando pelo sonho,
pela verdadeira essência de aqui estar.
Que bem a conheço,
mas parece não se deixar agarrar.
Escorrega e some-se
entre dedos de agulhas
que se volta para mim e me espetam.
Como maldição do sonho
que não se agarra, não se vive.
Bem sei onde ele está,
mas estaco-me de medo
perante a incerteza de ser ou não para mim,
desta maldição da falta de talento…
Mas teus dedos são de magia,
os meus não passam de meros gravetos
que riscam a terra que piso,
com simples contas de somar.
Pudesse então ficar a teu lado
esquecido nos teus dedos
que equacionam o belo e o transcendente.
Perder-me nesse mar de devoção
ao puro e ao belo.

Biscoitos, Terceira
16/07/2009

Blog Remodelado!


Remodelei o blog para o bem de todos. Mais imagens, mais luz, mais alegria para acompanhar a minha poesia. Espero que gostem e estou aberto a sugestões. Sou mais artista de palavras, que artista de cores e design's... Boas leituras!

Andarilho...


Em movimento permanente, ando entre Aguiar da Beira, Covilhã, o Luso, a Serra da Estrela e Lisboa. É já dia 5 que embarco para a Índia. Entre estas andanças uma nova poesia vai nascendo, novas escritas vão conhecendo a luz do dia. Tudo através da entrega e da pura libertação...

2 de Novembro de 2009

Um novo enigma...


Adoro quando me beijas
E me respiras ao ouvido.
Ofegante, vibras em meus braços.
Teu corpo humedecido
De convulsões.
Desperto para um mundo de mistérios.
Um mundo de recantos
E brincadeiras proibidas.
Neste reino só nós vivemos.
Onde os melros são audazes
E voam como águias.
Assim somos nós
Navegando na sedução dos tempos,
Lambendo a doçura das nuvens.
Em braços de lã e peito de erva fofa.
Perdi-me em delírios
Fugido do mundo.
Mulher hercúlea
Com espírito de amazonas
Cavalgas-me com certeza
E eu manso,
Deixo que assim seja.
Pois é bom também me render.
E tu dócil,
Também te deixas domar
E bichos somos
Domesticados ficamos
Neste amor hipnótico
Inebriados em transe puro.

Porto
21/10/2009

30 de Outubro de 2009

Lento acordar de Verão


Lento acordar de fim de verão.
Sucumbes a meu lado
No êxtase dos corpos suados.
Vejo a vida crua, demasiado crua
Para lhe nutrir algum afecto.
É-me estranho este sentimento
E no entanto sinto que sempre o conheci.
Deixo-me ficar mais um pouco
Esperando a alvorada dos pássaros alvos,
Alados na sua vontade, voando voando.
E quedo-me a teu lado, caído
No leito do nosso amor.
Vejo a vida velha e sem pudor
Caída a meu lado
Despojada de ornamentos e ostentações.
Crua, demasiado crua para me iludir.
É o chamamento fúnebre
Que nos puxa à cova.
É o fúnebre convite
Que nos enterra a alma.
A vida a meu lado, crua
Verdadeira, sem máscaras ou segredos.
Revela-se sem pudor
Verdadeiramente em pleno
Para que não me iluda.
E tu continuas a dormir, mulher de sonho
Doirada em tua luz
Guiando o meu corpo decrépito
Pelo vale da morte.
Não passa de uma dança macabra
Da qual ninguém sairá vivo.
A vida e eu, tu e a vida.
Aos poucos amanhece
E permaneces sonâmbula
Envolta em paixão
E no conforto do nosso ninho.
Pássaro da fantasia,
Que me aconchegas em teu calor.
Vejo-te despojada, e eu,
Um cadáver reflectido em ti.
Entregue para a morte
Para o fim carnal
Para arder na fornalha do delírio e do desejo.
Acorda, e sentas-te a meu lado
Amanhece mais um pouco,
E a morte abandona-nos
Ficamos à mercê da vida.
Nua e fria, com seu toque morno.

Roma
24/09/2009

29 de Outubro de 2009

E mais uns poemas em andamento....


Este ritmo esquecido faz-me sonhar
Fico leve, sem vontade de correr
feito louco, perseguindo as borboletas do desejo.
Como me nutre esta pacatez,
esta grandeza humilde da entrega despreocupada,
da vida desapegada.
Como me liberta este ar rústico
dos céus limpos de um vida
onde o conforto se encontra
numa fogueira, numa sopa
ou num céu de estrelas infinito.
Para que vai um homem correr
para que um dia possa parar?
Complico para poder simplificar.
Porque custa tanto assim
a entrega à vida profunda,
desprovida de chinfrim e geringonças robóticas.
Tais garras de ferro que apertam o homem
esmagando-o na ignorância dos olhos incrédulos.

São João da Pesqueira
08/07/2009


De tanto me perder no mundo,
perdi-me do mundo.
Agora não sei de onde sou
nem onde me encontrar.
De tanta liberdade e fuga
esqueci de onde vim e onde regressar.
Já nem eu próprio me reconheço.
E admiro os pequenos e conformados,
navegando no doce mar
das pegadas do passado,
calma e previsível viagem
de rumo certo.
Para mim fica-me sempre
o mar revolto da incerteza,
dos mapas por descobrir.
Sem fé nem magia,
quebra-se a vida em fragmentos
de ilusão e engano.
De ventos agrestes e bússolas partidas.
No reboliço deste mar negro,
imenso, grave,
numa escuridão que me engole,
o mundo desaparece,
mergulha também ele no abismo da solidão.
Que o mundo para lá fique
até que eu me decida.

Biscoitos, Terceira
16/07/2009

21 de Outubro de 2009

Agora pelo Porto...

Mais alguns poemas vão saindo do papel...


Longos dias passam pelo meu débil corpo
Que me deixam sempre mais solto
Vêm pela calada, muito matreiras
famintas da felicidade alheia.
Que não pode um homem
viver sem as arrelias e afrontas
dessas vagabundas.
Sem tecto nem chão
vagueiam sem rumo,
por toda a parte, causando infortúnio.
E hoje me calhou a mim
a bênção de suas trafulhices,
quais velhas safadas
para me atormentarem o repouso.
Ah, sua velhaca
sai-te daqui que
de mim não levas nada.
Bem te conheço e contigo
não perco eu o meu tempo.

Lisboa
04/07/2009



Em silêncio me perco,
esquecido do mundo.
As palavra eu guardo,
em economia sábia.
Ouço quem me fala,
sempre profundo.
Absorto, contemplo inerte, a vida rápida.

Lisboa
04/07/2009


De liberdade sou feito,
a rebeldia é a minha companheira.
Ó caneta indomável,
tu tens tua vontade,
não te vergas nem te vendes.
Fiel a ti mesma,
ninguém te dita vontades ou rumos.
Louca… arrojada…
Vais papel fora,
sem tino nem lógica.
Pura e intocável
hás-de ser tu própria
em tua simples cantilena.
Bem conheces a paixão
sabes das razões do coração.
Por isso te deixo solta
para que sejas quem te apetecer.
Para que faças como bem te der.
Vai!
Agora vai e embrenha-te na vida.
Não te acanhes,
pois quero ouvir a tua letra
e saber da tua fundura.

Lisboa
04/07/2009