
Em melancolia perdido
e embalado em sua sumptuosidade.
Vida em pausa, busca incessável.
Onde se aquieta o espírito de um homem?
E uma paixão permanece,
um propósito, um sonho,
toda uma vida em vão.
Para nada, para nada de nada
debate-se a criatura nos muros
e muralhas dos fortes e castelos
da coisa por conseguir,
almejando sem fim.
E um sonho permanece,
uma paixão que tudo queima.
Um propósito por realizar
uma vida por viver,
presa no medo da impossibilidade.
De não saber como lá chegar.
Estaco perante o abismo da incerteza.
A incerteza que corrói,
que pesa e puxa ao chão
cortando as asas do sonho.
Da rebeldia e da pureza inocente,
do simples que não conhece obstáculos.
Em desculpas, em dúvidas,
em mecanismos que me
afugentam o sonho
e o néctar da arte, da poesia e da música.
Sempre me mergulhando
no som sem forma do eterno absoluto.
E navega o ser alado além desta dor,
nadando pelas onda desta melodia intoxicante
que me transporta a alma
para o mundo do sonho
onde eu apenas choro.
Onde eu apenas anseio.
Com o coração em chamas,
clamando pelo sonho,
pela verdadeira essência de aqui estar.
Que bem a conheço,
mas parece não se deixar agarrar.
Escorrega e some-se
entre dedos de agulhas
que se volta para mim e me espetam.
Como maldição do sonho
que não se agarra, não se vive.
Bem sei onde ele está,
mas estaco-me de medo
perante a incerteza de ser ou não para mim,
desta maldição da falta de talento…
Mas teus dedos são de magia,
os meus não passam de meros gravetos
que riscam a terra que piso,
com simples contas de somar.
Pudesse então ficar a teu lado
esquecido nos teus dedos
que equacionam o belo e o transcendente.
Perder-me nesse mar de devoção
ao puro e ao belo.
Biscoitos, Terceira
16/07/2009